news
Fluxo livre: o coração do bem-estar na ordenha robotizada
Permitir que a vaca organize seu próprio fluxo diário reduz o estresse, organiza a dinâmica social e facilita a expressão de comportamentos naturais.
Na pecuária leiteira atual, o bem-estar animal deixou de ser apenas uma declaração de princípios para se tornar um resultado observável e mensurável. Nesse caminho, a robotização da ordenha e, especialmente, o conceito de tráfego livre surgem como uma das mudanças estruturais mais profundas na forma de organizar o sistema.

Fluxo livre: o coração do bem-estar na ordenha robotizada
Hoje, há evidências científicas suficientes para afirmar que permitir que a vaca decida quando se ordenhar, quando se alimentar e quando descansar reduz o estresse, melhora o comportamento e organiza o funcionamento geral da fazenda. Não se trata apenas de tecnologia: trata-se de respeitar a biologia do animal.
A importância do fluxo livre
Os sistemas de ordenha robotizada (SOR), também chamados de sistemas automáticos de ordenha (AMS), foram desenvolvidos inicialmente para responder à escassez de mão de obra nas fazendas leiteiras europeias.
No entanto, com o tempo, seu impacto foi muito além da eficiência operacional. Segundo o Dr. David Cutress, em um trabalho apresentado em 2020 sobre sistemas robóticos e bem-estar animal, os AMS exigem ambientes especificamente projetados para direcionar o movimento das vacas até o robô — e é nesse ponto que surge uma diferença fundamental entre os sistemas de tráfego livre e os sistemas guiados ou forçados.
O estresse na robotização
Uma das principais questões relacionadas à robotização da ordenha sempre foi seu impacto sobre o estresse animal. Para avaliá-lo, diversos estudos compararam respostas fisiológicas e comportamentais de vacas ordenhadas em salas convencionais e em sistemas robotizados.
Cutress destaca que esses estudos analisaram variáveis como frequência cardíaca, níveis de adrenalina e noradrenalina no plasma, cortisol presente no leite e alterações comportamentais, como aumento de movimentos, coices ou inquietação durante a ordenha.
“Até o momento, há pouca evidência de níveis elevados de estresse em vacas ordenhadas com sistemas de ordenha robotizada; no entanto, existe evidência de maiores níveis de estresse durante o período inicial de adaptação, que se reduzem rapidamente após as primeiras sessões de treinamento”, alerta o pesquisador britânico.
O mesmo estudo traz um dado essencial para o projeto de fazendas robotizadas: “Há evidências que sugerem um maior estado de estresse quando são utilizados sistemas de fluxo forçado em comparação com salas de ordenha tradicionais — algo que não é observado quando a comparação é feita com sistemas de tráfego livre”.
Hierarquia social e acesso à ordenha
A forma como o acesso ao robô é organizado tem impacto direto sobre a dinâmica social do rebanho. Em muitos sistemas, o acesso à ordenha está associado ao acesso ao alimento, o que pode intensificar a competição entre as vacas.
Segundo Cutress, vacas de maior hierarquia social tendem a acessar o sistema primeiro, enquanto vacas subordinadas podem acumular tempos de espera mais longos. “As pesquisas indicam que grandes áreas de espera imediatamente antes do robô são fundamentais para reduzir a competição social e que os sistemas de tráfego forçado têm um efeito negativo sobre vacas de menor hierarquia quando comparados aos sistemas de fluxo livre”.
Comportamento e frequência de ordenha
Um aspecto central dos AMS é a ordenha por quarto, considerada uma experiência mais natural para a vaca, pois se assemelha à mamada do bezerro e reduz os riscos associados ao sobreordenhamento. David Cutress destaca que, tanto em sistemas de fluxo livre quanto guiado, as vacas alcançam, em média, entre 2,5 e 2,8 ordenhas por dia, em comparação com as duas ordenhas diárias dos sistemas tradicionais.
“Os sistemas de ordenha robotizada oferecem maior liberdade de escolha às vacas e demonstraram, em grande medida, manter seu comportamento diurno natural, com a maioria das ordenhas ocorrendo entre 7h e 22h.”
Conclusão
Em sistemas de ordenha robotizada, o fluxo livre se apoia em uma base técnica e científica sólida. Os estudos mostram que permitir que as vacas decidam quando se alimentar, descansar e se ordenhar está associado a maiores níveis de consumo de matéria seca, especialmente em vacas de menor hierarquia social, além de um acesso mais regular ao robô.
Nesses sistemas, são registradas frequências de ordenha entre 2,5 e 2,8 ordenhas por vaca por dia, refletindo um fluxo voluntário e alinhado à fisiologia do animal. Ao reduzir a competição, os tempos de espera e as interferências da hierarquia social, o tráfego livre favorece padrões de comportamento mais estáveis, menor estresse e um funcionamento mais harmônico do sistema, integrando bem-estar animal e eficiência produtiva no longo prazo.
Este conteúdo foi traduzido e adaptado a partir do material originalmente publicado por Infortambo Chile. Recomendamos a leitura do material original e completo no link: Tráfico libre en lechería robotizada - INFORTAMBO
Outras notícias e artigos de imprensa
Aqui você pode encontrar as últimas notícias e comunicados de imprensa





