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Juros altos freiam investimentos no leite em 2025, mas automação segue como tendência
Avaliação é de executivo do setor, que vê retomada gradual a partir de 2026 no Brasil e na América Latina
Mesmo em um ano marcado por juros elevados, crédito restrito e queda no preço do leite, a automação seguiu avançando na pecuária leiteira da América Latina em 2025. A avaliação é de executivos do setor, que apontam estabilidade nos investimentos ao longo do ano e expectativa de retomada gradual a partir de 2026, especialmente em tecnologias voltadas à eficiência produtiva, à gestão das fazendas e à redução da dependência de mão de obra.

Juros altos freiam investimentos no leite em 2025, mas automação segue como tendência
No Brasil, o cenário econômico pesou sobre as decisões de compra dos produtores. Com a taxa Selic chegando a 15% ao longo do ano e o custo do crédito bancário superando 19% ao ano, muitos investimentos foram adiados. “Foi um ano difícil para todo o mercado do leite. O preço caiu ao longo de 2025 e gerou muita insegurança. As vendas se estabilizaram e ficaram muito próximas do patamar de 2024”, afirma o gerente da Lely América Latina, Edison Acherman.
Segundo ele, o comportamento foi semelhante em outros países da região onde a empresa atua, como Argentina, Chile e Uruguai. “Na América Latina como um todo, o crescimento foi estável. A instabilidade econômica e política acaba gerando medo e cautela no produtor, o que limita novos investimentos”, diz.
América Latina cresce menos que mercados maduros
Na comparação com regiões mais consolidadas da pecuária leiteira, como Europa e América do Norte, a América Latina apresentou desempenho mais moderado em 2025. Enquanto esses mercados mantiveram crescimento mais consistente, impulsionados por maior previsibilidade econômica e acesso ao crédito, a região avançou em ritmo mais lento. No cenário global, a Lely registrou vendas superiores a € 1 bilhão, com crescimento de 18% na receita, reflexo da maior adoção de tecnologias automatizadas em mercados mais maduros.
“O potencial da América Latina é enorme, em número de animais e oportunidades, mas dependemos de condições mais adequadas de financiamento, com prazos e juros compatíveis com a realidade da atividade”, avalia Acherman.
Ainda assim, alguns países ajudaram a sustentar o resultado regional. A Argentina, por exemplo, apresentou melhora em relação a anos anteriores. “Mesmo com limitações de crédito, 2025 já foi mais interessante do que 2024. A expectativa é de um 2026 melhor, com inflação mais controlada e ambiente mais favorável ao investimento”, afirma.
Automação ganha espaço mesmo em cenário adverso
Mesmo com o ambiente mais conservador, a automação seguiu como uma das principais apostas dos produtores que decidiram investir. A ordenha robótica permanece como a tecnologia mais demandada, concentrando a maior parte dos investimentos em automação na pecuária leiteira. Globalmente, o avanço desse movimento tem sido acompanhado por maior investimento em inovação: em 2025, a Lely destinou cerca de 8% do seu faturamento a Pesquisa e Desenvolvimento, voltados a novas soluções para o setor agropecuário.
Para Acherman, essa tendência está ligada a fatores estruturais da atividade. “O produtor está buscando eficiência, melhor gestão e soluções para a falta de mão de obra qualificada. Além disso, há ganhos importantes em bem-estar animal e qualidade de vida do produtor, que passa a ter uma rotina mais previsível”, explica.
Segundo ele, os sistemas automatizados permitem trabalhar com equipes menores, mais qualificadas e com maior volume de informações para a tomada de decisão. “O robô oferece dados que ajudam a acompanhar a saúde do rebanho, a produção e a eficiência da fazenda, o que se tornou essencial no cenário atual”, diz.
Expectativa de retomada a partir de 2026
Apesar das dificuldades enfrentadas em 2025, a expectativa do setor é de um ambiente mais favorável nos próximos anos, com retomada gradual dos investimentos, especialmente em mercados considerados iniciantes em automação, como os da América Latina.
"Os próximos anos devem ser estratégicos para a expansão da ordenha robótica na região. O aumento da adoção da ordenha robótica é uma tendência clara em mercados como os da América Latina. A evolução dessa tecnologia amplia o controle da qualidade do leite, melhora o bem-estar animal e traz mais eficiência ao trabalho diário”, afirma.
Na comparação com outros mercados globais, a expectativa é que a América Latina ganhe relevância de forma gradual. “A região ainda está na sua primeira década de adoção mais estruturada dessas tecnologias, mas há espaço para crescimento em diferentes modelos de produção, desde propriedades familiares até grandes operações”, conclui.
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